quinta-feira, 1 de maio de 2008

Meus ricos comprimidos…

Deviam ser umas 14h00 mais ou menos. Tinha chegado de Pombal, terra de minha falecida avó, onde a minha família guarda ainda alguns pertences patrimoniais, que temporariamente visitamos (á excepção da casa onde vive actualmente uma prima).
Estava brutalmente cansada... o corpo só conseguia reagir a um cansaço interior que teimava em saltar para fora, mas a minha mente não deixava!
Por cada quilometro percorrido o medo apoderava-se de mim... ia-me subindo pelas pernas como um queimado que lentamente chegava ao cume. Sentia-se vitorioso e eu não conseguia combater aquele calor antecipado.
Tenho a vida do avesso...
Os meus alicerces, a minha estrutura, os ferros que me seguram por dentro como a um prédio em construção parecem falhar-me. Falo de meus queridos e amados pais! Cansados e com muita vontade de serem poupados a preocupações familiares... Para eles, agora, apenas as dificuldades alheias que não os tocam na pele, é que são dignas de serem comentadas á mesa do jantar. Tudo o resto não deveria fazer parte das suas vidas. Já lá vai o tempo em que minha mãe corria desalmadamente atrás de mim com um chinelo na mão para me «acalmar os nervos»... hoje deveriam ambos, estar calmos e tranquilos, pela vida agitada que tiveram com seus filhos, onde me incluo em maior dimensão que minha mana.
É este o medo que se apoderava de mim... saber que trazia para a minha realidade diária uma mãe que quer descansar e não consegue, uma filha parvamente adolescente que devia ser isso mesmo, filha de mim, mas que prefere ser filha de todos e desvairar-se para todos os lados... (odeio adolescentes...!), e quando parei e me sentei, uma enorme vontade de envolver-me em comprimidos e braços percorreu o meu corpo.
A esta vontade de comprimidos e braços que quase me afogava, como uma dependencia de que eu sentisse falta, estava constantemente a piscar no meu cérebro. Para todos os lados que olhava via umas letras em néon fluorescente com um brilho sedutor que me diziam «abraça-me...».
Restou-me pegar em minha mana, em minha mãe, e conduzir até casa onde meu pai nos esperava alegremente para o preparo de mais um repasto á moda de minha mãe... a filha, a adolescente continuou a ser isso mesmo, e pediu-me para dormir em casa de uma amiga, outra adolescente... daquelas que eu odeio...
Jantei, abracei-me a um tranquilizante e deleitei-me em minha cama.... até de manhã!
Benditos sejam aqueles que nos fazem esquecer a nossa pele o cansaço do amor....

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